segunda-feira, 29 de junho de 2009

Elas caminham pela vitória

Antes de entrar no assunto, preciso confessar que não tenho conhecimento técnico para dissertar longamente sobre o tema. Porém, acredito que um pouco de sensibilidade e o olhar de alguém de fora merece ser externado. Falo da impressionante organização, no Rio Grande do Sul, entre as mulheres que já tiveram câncer de mama.

Aqui, existe o Instituto da Mama (IMAMA), organização não-governamental que consegue atender, dar orientação e apoio, às mulheres de todo o Estado. Nas diversas cidades do interior onde já morei, sempre notei a presença constante do IMAMA. Quando conversava com alguém que teve a doença ou com algum familiar, a ONG era sempre citada com longos elogios e agradecimentos.

Não bastasse ajudar quem, infelizmente, desenvolveu a doença, o IMAMA também trabalha na prevenção. Um veículo, chamado Mamamóvel, percorre todo o interior do Rio Grande do Sul oferecendo exames de graça em parceria com as prefeituras. Na área da mídia, o instituto também procura fazer forte divulgação da doença (e vem conseguindo). É muito difícil passar uma semana sem ler, ouvir ou assistir algo sobre o IMAMA na imprensa gaúcha. Isso é bom porque alerta muita gente para a importância de fazer exames preventivos, já que o câncer de mama tem mais de 90 por cento de chance de cura se detectado no início (mesmo sem conhecimento técnico, disso eu sei).

Agora em julho, milhares de mulheres que já tiveram câncer de mama vão para as ruas em cinco cidades gaúchas (Porto Alegre, inclusive). Será a Caminhada das Vitoriosas, promovida pelo IMAMA, e que quer alertar ainda mais sobre a doença.

Enfim, é muito bom ter exemplos e poder falar deles de vez em quando. Achar coisas erradas, criticar o governo, falar mal de algum artista... isso é corriqueiro. O difícil é achar algo assim, como o IMAMA, que dá gosto de elogiar!

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sábado, 27 de junho de 2009

Sem diploma e sem Conselho

Há alguns dias o meio jornalístico discute um assunto em comum: a extinção da exigência do diploma para exercício da profissão pelo Supremo Tribunal Federal. Falar das consequências dessa atitude equivocada e provavelmente fruto de lobby seria repetitivo, mas é preciso esclarecer um ponto: não está se dando carta branca aos incompetentes para que tomem o lugar dos jornalistas formados. Também existem incompetentes com diploma e competentes sem formação.

O julgamento do STF foi de encontro ao que clamava a opinião pública, a intelectualidade, os jornalistas, os políticos. O Supremo só agradou às empresas que entraram com o processo de extinção.

A justificativa de apagar resquícios da ditadura e ampliar a liberdade de imprensa não me convence. A ditadura trouxe muitas, inúmeras, milhares de coisas ruins, mas também deixou algumas poucas marcas positivas. A regulamentação da profissão de jornalista, inicialmente para impedir que intelectuais de esquerda continuassem na mídia, possibilitou a formação da classe que temos hoje, com profissionais técnica e intelectualmente preparados.

Mas chorar as mágoas não basta. É preciso saber o que levou a tudo isso. Lembro de alguns anos, durante o primeiro mandato do Presidente Lula, quando o Governo Federal propôs a criação do Conselho Federa de Jornalismo e dos Conselhos Regionais. Assim como outras profissões (advogados – OAB; engenheiros – CREA; administradores – CRA), os jornalistas também seriam submetidos a uma entidade maior, responsável por defender a profissão e, claro, também punir excessos. A mídia criticou, acusando o Governo do PT de tentar vigiar, restringir, cercear a liberdade de imprensa. Os conselhos não saíram do papel.

Ouvindo a declaração de um líder de Conselhos do Brasil, recentemente em Porto Alegre, percebi o quão íntimo esses dois fatos estão ligados. Na opinião dessa fonte, os empresários de comunicação venceram as duas batalhas: impediram a criação do conselho e derrubaram a exigência do diploma.

Diante disso, pergunto: e se o Conselho Nacional de Jornalismo existisse, a exigência do diploma teria sido extinta? Penso que não, pois um Conselho teria maior representatividade e força política.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Desapaixonado por futebol

Em qualquer parte do mundo os brasileiros são rapidamente associados ao futebol. A vocação para esse esporte e a formação de dezenas de craques de reconhecimento mundial, deram ao Brasil o título de “País do Futebol”. Pode até ser bom, mas eu preferiria ostentar o título de “País da Educação” ou “País da Cultura”. De qualquer forma, Pelé, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, têm algum mérito: deram, involuntariamente, um rótulo mundial para a nossa pátria.

Ao contrário do que diz a mídia sobre todos, eu não sou um apaixonado por futebol. Gosto muito, sim, mas prefiro me apaixonar por outras coisas. Vejo esse esporte como benéfico por uma série de razões. Reconheço que ele tira muitas crianças da marginalidade, alegra o povo e, em minha opinião, é o único fenômeno genuinamente patriota do Brasil. Durante uma Copa do Mundo é que podemos perceber, pois parece que todos se tornam um pouco mais brasileiros.

Sobre futebol, gosto de assistir aos jogos do meu time, dos outros, do rival, mas não me interesso nem um pouco por partidas da Seleção Brasileira. Não vejo verdade. Jogo da Seleção e novela das oito para mim é quase a mesma coisa. Imagino que essas partidas começaram a perder a graça quando a televisão descobriu que poderia transmiti-las, porque desde então, os jogadores não se apresentam mais para os torcedores e sim para as câmeras. Suspeito que um atleta de Seleção já entra em campo pensando: “Pô, tenho que fazer um golaço pra depois ser contratado para fazer aquele comercial de cerveja”.

Quando assisto às partidas do meu time do coração, vejo onze caras que nasceram para jogar futebol e fazem disso a sua profissão. Nas partidas da Seleção é diferente: vejo um bando de celebridades em campo. Tanto que não ficaria surpreso se o narrador anunciasse a substituição do Kaká pelo Silvio Santos...

Em tudo que faz, a mídia busca a construção de um espetáculo. Qualquer coisa vira show: acidentes aéreos, escândalos políticos e, inclusive, partidas de futebol. Sei que sou minoria absoluta nesse assunto, já que a televisão quer contemplar a grande massa. E consegue. Só me resta mudar de canal ou ler um livro.

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coisas do baú