Um caso ocorrido em uma cidade gaúcho da qual não lembro o nome demonstra claramente como a política é, de fato, um reflexo da vida. As atitudes dos políticos, que tanto criticamos, são nada mais do que as mesmas atitudes de pessoas comuns, só que com mais zeros no final.
Dois colegas de trabalho combinaram um churrasco. Muita carne, música alta, adrenalina e bebida. Lá pelas tantas os dois resolvem praticar “atos libidinosos”, como descreveu o jornal onde soube do ocorrido. Seria uma “troca de favores”, digamos assim. Promessa feita, eles começaram. Quando o primeiro terminou o serviço (se é que você me entende), vestiu-se e deu no pé. O outro ficou fulo da vida e teve a brilhante idéia de denunciar a falta de dignidade do colega à delegacia.
Para a maioria, o caso dos dois colegas virou uma piada. Uma piada muito boa, diga-se de passagem. Mas para mim, tentando forçar o meu olhar por outro ângulo, vejo nessa situação exatamente o que acontece na política. A figura do homem público eleito pelo povo fica com o cidadão que fez o serviço e escapuliu. O outro representa o povo.
Moral da história: o político f*deu o povo com uma promessa não cumprida.
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Elis Regina já cantava: “apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmo e vivemos, como nossos pais”. Belchior conseguiu traduzir em uma frase a verdade mais inaceitável para qualquer adolescente em qualquer época.
Quando somos jovens, somos sonhadores. Queremos modificar o mundo e, por incrível que pareça, acreditamos que isso será possível um dia. Mas o destino de todos esses sonhadores é o mesmo: viver como todo mundo. Aceitar e respeitar as regras existentes.
Não chegar ao objetivo final é apenas um detalhes. Apenas da incompetência para mudar o mundo, creio que a adolescência é uma fase muito proveitosa e, provavelmente, a melhor da vida toda. Nela somos livres para, ao menos, sonhar. Depois, adultos, vamos perdendo aos poucos essa capacidade. Temos contas a pagar, prazos a cumprir, regras a respeitar e com isso sobra menos tempo para sonhar.
Por mais que seja difícil, acho que mesmo quando nos tornamos adultos devemos continuar sonhando. É tão bom ser um idiota! Acreditar em coisas impossíveis, esperar o Papai Noel, olhar para o céu todas as noites esperando ver um disco voador, crer na bondade das pessoas... tudo isso faz muito bem.
Sendo assim, caro leitor, faça um esforço e tente não ficar igual aos seus pais no futuro. Assim que alguém conseguir isso, quero ser o primeiro a saber. Eu não consegui. Apesar de ter feito tudo o que fiz, ainda sou o mesmo e vivo como todos.
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