sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Rádio aleluia

Desde 2006 um Projeto de Lei tramita na Câmara dos Deputados. Bom, isso não é nenhuma novidade. Mas esse projeto tem por objetivo autorizar a reprodução de programas religiosos em emissoras comunitárias de rádio. O autor, Deputado Lincoln Portela (do PL), quer que as emissoras abram espaço para diferentes religiões e, assim, evitar o que ele chama de “apologia de determinadas religiões”.

Há pontos a observar. Primeiro: alguém precisa avisar o deputado que ele está atrasado. Hoje em dia não existe rádio comunitária que não tenha programas religiosos; Segundo: como o deputado pretende abrir espaço para outras religiões, se a maioria das emissoras comunitárias legalizadas existentes são diretamente ligadas a uma determinada igreja?

A Lei das Rádios Comunitárias, em vigor desde 1998, veta veementemente o proselitismo, ou seja, a apologia à determinada religião ou partido político. Está no papel e, ao que parece, deve continuar só ali.

Outra determinação ignorada pelas emissoras comunitárias está no artigo dezoito da Lei 9.612/98: “As prestadoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária poderão admitir patrocínio, sob a forma de apoio cultural, para os programas a serem transmitidos, desde que restritos aos estabelecimentos situados na área da comunidade atendida.” Todos os ouvintes de rádios comunitárias sabem que, diferente do proposto, a emissora tem espaço comercial e que não é apenas o Armazém do Zé que anuncia ali. As grandes empresas de cidades pequenas também preferem anunciar nessas emissoras, já que o custo é menor.


É preciso rever o sistema brasileiro de rádios comunitárias. As autoridades competentes precisam aceitar que, embora a idéia tenha sido boa, não deu certo.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

É campeão! É campeão! É campeão! É campeão! É campeão! É campeão! É campeão!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Estamos apresentando: marketing social

A chuva passou e arrasou parte de Santa Catarina. Mais de cem mortos, casas destruídas, historias tristes, imagens chocantes... esse é o saldo. Um grande fato para preencher blocos e mais blocos de telejornais e que, agora, passou para o próximo nível. Não bastasse a cobertura mórbida do ocorrido, a mídia resolveu que agora quer tirar proveito da tragédia alheia.

O marketing social é muito proveitoso e as emissoras de televisão e jornais sabem disso. Quantas vezes você já viu um comercial de alguma grande multinacional, cujos protagonistas são crianças que não têm o que comer, mas exibem um livro patrocinado por essa empresa?

Os desabrigados de Santa Catarina estão servindo para alimentar uma disputa entre grandes emissoras de televisão. Na minha opinião, elas querem ver quem consegue fazer a maior e melhor campanha de arrecadação de donativos. Para isso, vale tudo: programas especiais vinhetados, entrar com edição extra no horário de um programa de grande audiência e apelar para o choro de uma criança.

A pergunta que não sai da minha cabeça é: qual a primeira motivação das emissoras ao promoverem essas campanhas? Realmente ajudar os “irmãos catarinenses” ou promover seu lado filantrópico?

Uma grande emissora de TV pode e deve ajudar em situações como essa. Mas o que estamos assistindo é uma inversão de funções. Algumas emissoras querem fazer o trabalho das organizações que existem exclusivamente para ajudar nesses casos.


Sabemos que a tragédia é grande, mas, infelizmente, o espetáculo também.
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coisas do baú