quarta-feira, 18 de junho de 2008

Encontro marcado

Toda a segunda-feira tenho um encontro marcado com o missionário R.R. Soares na Band. Não, não... Embora seja uma pessoa bem humorada (até demais), não sou um fiel da Igreja da GRAÇA (entendeu, né?). O fato é que o programa do pastor, bispo ou seja lá o que for, precede uma das melhores atrações da televisão aberta do Brasil nos últimos tempos. Trata-se de outro programa igualmente bem humorado (entendeu de novo?).

Quando o missionário termina de extorquir os coitados com a venda de achocolatados, TV por assinatura e outros produtinhos da “graça”, começa o programa Custe o Que Custar. Simplesmente o CQC.

Inicialmente rotulado como cópia do Pânico, o CQC mostrou ser muito superior. Os assuntos são sérios, mas tratados de uma forma muito engraçada. Acreditem, eles conseguem! Políticos, personalidades, famosos passam apertos ao serem entrevistados pelos repórteres do programa.

Não bastasse a qualidade, o programa ainda é apresentado por uma figura marcante da minha infância. Muitos devem lembrar do Castelo Rá-Tim-Bum e, em especial, do personagem que respondia à pergunta insistente do personagem Zequinha. “Porque sim não é resposta!” Lembrou? Pois é, Marcelo Tas apresenta o CQC com os mesmos trejeitos do personagem do programa infantil.

Confesso que virei fã absoluto do CQC. E para minha felicidade não estou sozinho nessa. No último final de semana, durante um congresso de jornalismo, o repórter Carlos Dorneles, da Rede Globo, confessou sua admiração pelo programa. “Eu adoro o CQC!”, respondeu a um estudante que questionava a opinião dele sobre a mistura jornalismo e humor.

Agora tenho que terminar o texto, pois o missionário está terminando de convencer uma senhorinha de óculos fundo de garrafa a ser uma patrocinadora da Igreja da Graça. Vai começar o CQC... Boa noite.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Filho bastardo

Bagé é uma cidade pacata localizada na parte do Rio Grande do Sul conhecida como região da campanha. É terra de gente famosa como o ex-jogador Branco, tetracampeão pela Seleção Brasileira. Mas também é o lugar que pariu o mais detestável de todos os ditadores tupiniquins.

Em 1905 a cidade deu a luz ao general Emílio Garrastazu Médici, que viria a assumir a presidência do Brasil em 1969. Durante cinco anos, o governo dele ficou famoso por grandes obras como a ponte que liga o Rio de Janeiro à cidade de Niterói, a Usina Hidroelétrica de Itaipu e a rodovia que corta a Amazônia. Mas também foi o governo que mais ignorou os diretos humanos, o mais violento e sanguinário.

O Governo Médici valeu-se das formas mais cruéis de tortura para eliminar a esquerda da época. É difícil para quem não viveu a época, mesmo baseado em pesquisas, descrever com a sensibilidade merecida o que a ditadura do General de Bagé foi capaz de fazer.

A imprensa da época sofria com a censura. Censura de verdade! Não como a classificação indicativa adotada hoje na televisão, considerada por muitos como inaceitável. Naquele tempo todas as notícias só seriam divulgadas se aprovadas pelos capachos do governo. Jornalistas da época lembram com a garganta arranhada do “auto-policiamento”, o cuidado que tinham até em conversas de botequim. Uma frase contra bastava para sofrer as conseqüências.

Os defensores da ditadura usam o chamado “milagre brasileiro” para engrandecer o governo Médice, mas esquecem que o santo não foi eterno e o milagre durou pouco. Além disso, deixou rastros, como a exorbitante dívida externa.

Mesmo assim a cidade de Bagé parece ter orgulho do seu filho general. Hoje o ditador empresta o nome a vários lugares públicos. Quando passo em um ginásio que exibe na fachada o nome Emílio Garrastazu Médici em letras graúdas, sinto repúdio, indignação... Outros que façam o mesmo caminho podem até sentir orgulho do conterrâneo. Provavelmente são pessoas que nunca leram nem ouviram nada a respeito das barbáries cometidas pelo “ilustre cidadão”.

Sou adotado por Alegrete e tenho orgulho em dizer que sou da terra do Mário Quintana, mas não entendo como alguém de Bagé pode cogitar a possibilidade de apresentar-se como conterrâneo do General Médici. Aliás, nunca vi ninguém fazer isso.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Frases...

"Lead, corpo do texto, ouvir os dois lados... isso só existe na faculdade, não existe em jornalismo"

"Já sofri pressão na Globo, na RBS, na Folha da Tarde... Enfim, em todos os veículos onde trabalhei."

"Todos os veículos de comunicação até hoje tiveram orientação católica. Sendo assim por que não existir um veículo evangélico (Record)?"

Carlos Dorneles, jornalista, durante o 33º Congresso Estadual de Jornalistas, em Santa Maria no último final de semana.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Como ser ridículo...

Muitos são mestres na arte de serem ridículos em público, mas ninguém supera alguns figurões da política brasileira. Sei que a forma como agem esses já é um assunto batido, mas nunca é demais acrescentar um fato novo para comprovar a teoria.

Há alguns dias acompanhei a visita de um integrante do Governo Federal à região onde trabalho. Ele veio visitar uma obra que tem tudo a ver com a sua função política em Brasília. No aeroporto da cidade, aguardava a chegada do personagem em questão quando avistei um avião prestes a pousar. Rapidamente alguém me informou que não se tratava do político esperado e sim de uma trupe de outros que “acompanhariam a visita”.

Já que estamos a poucos meses do início de um processo eleitoral, não é de se admirar que políticos que não têm absolutamente nada a ver com o assunto que aqui seria tratado aproveitassem a ocasião para conseguir uns flashes. E assim foi. Na comitiva que chegou literalmente “de carona”, alguns nomes desconhecidos, aqueles que não aparecem nem em CPI.

Quando o político esperado chegou foi um tal de abraço apertado pra lá, aperto de mão pra cá, sorrisinho forçado acolá... Mas o pior – ou, o melhor – estava por vir. No local da tal obra, o político ao qual realmente interessava o assunto viu-se engolido por um bando de outros tantos buscando um cantinho na foto que sairia no dia seguinte nos jornais. Curioso foi quando um fotógrafo pediu ao político “principal” que posasse para a câmera. Ao ouvir o chamado, dois deputados que estavam alguns metros afastados saíram em disparada buscando um lugar nos ombros do “principal”. Enquanto outros fotógrafos se aglomeravam para aproveitar o mesmo ângulo, os deputados em questão continuavam com a boca congelada num sorriso mais ridículo do que simpático.


Isso é apenas mais um exemplo das peripécias que essas pessoas fazem para conseguir um espaço mínimo na mídia. Provavelmente não sabem eles que um bom projeto, uma atitude em benefício dos seus milhares de eleitores, rende muito mais do que apenas ser um “papagaio de pirata” de um político importante.

coisas do baú