DEIXEMOS O PLANETA RESPIRAR!
Apagão mundial em 29 Fev de 2008 (próxima sexta-feira)
Escuridão mundial: No dia 29 de Fevereiro de 2008 das 19:55 às 20:00 horas propõe-se apagar todas as luzes e se possível todos os aparelhos elétricos, para o nosso planeta poder 'respirar'. Se a resposta for grande, a poupança energética pode ser brutal. São apenas 5 minutos, para ver o que acontece. Sim, estaremos 5 minutos às escuras, podemos acender uma vela e simplesmente ficar a olhar para ela, estaremos a respirar nós e o planeta. Lembrem-se que a união faz a força e a Internet pode ter muito poder e podemos mesmo fazer algo em grande.
"Pequenos gestos trazem GRANDES recompensas."
Não custa nada participar! Eu vou!!!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Preconceito Emo
Dizem que Emo é aquele que usa maquiagem, se veste de preto, tem aquela franjinha, chora por qualquer coisa, é partidário da paz e da liberdade sexual. Ou seja, é uma pessoa boa, não é verdade?
Por que implicam tanto com os coitados? Chato isso, bem coisa de brasileiro desocupado. É normal as pessoas se preocuparem com a vida dos outros. Se não fosse assim, de onde tirariam assunto para horas de conversa?
Não entendo por que bandas consideradas Emo não curtem essa denominação. Outro dia o NXZero negou, a Fresno negou, o Lobão negou, o Pato Fu negou... Aliás, a Fernanda Takai teve a melhor das respostas: disse que o único Emo que existe é o Garibaldo do programa Vila Sésamo, pois ele é uma ema macho.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Chove, chuva
Não tenho opinião formada sobre um dia de chuva. Tem que elaborar. Pode ser como filme americano, que você vê no cinema e acha o máximo, mas quando chega em casa acha um saco. Ou então como viagem que durante é horroroso, mas depois, olhando as fotos, é maravilhoso.Mas um dia chuvoso é muito bom para várias coisas. Para o peão de estância é o dia de fazer cordas de couro no galpão; para os intelectuais é bom para ler e escrever; para os sentimentais, olhar as gotas de água caindo no solo ajuda a refletir sobre a vida.
Já uma noite de chuva só serve para uma coisa: dormir. Certamente não existe melhor sono do que aquele ao som dos pintos no telhado. Lembro quando morava em uma casa com telha de zinco, que faz o barulho ficar dez vezes mais alto e, conseqüentemente, dez vezes melhor.
Cada vez que chove vejo a água que cai do céu limpar tudo que há de imundo. É como se tudo fosse renovado. Alguém já percebeu que na manhã seguinte à chuva, quando o sol aparece e vai aos poucos secando a grama, parece que a vida recomeçou? Lembra o início de algum filme romântico, daqueles de um final lindo e maravilhoso, com pessoas felizes, casadas, grávidas...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Leiam Ninguém Escreve ao Coronel, Gabriel García Márquez (El Coronel no Tiene Quien Le Escriba).
Para os preguiçosos, é um livro pequeno; para os desprovidos de extenso vocabulário, tem linguagem simples; para os pessimistas, se encontra em qualquer biblioteca; para os ocupados, lê-se em uma hora; para os sem recursos, deve ser barato...
É a segunda obra do escritor. Só posso adiantar a última palavra do livro: “Merda!”. O Coronel levou setenta e cinco anos para concluir essa palavra.
Não estou adiantando o final, até porque isso é impossível. Leiam!
Ah! O livro também virou filme, lançado em 1999 e dirigido por Arturo Ripstein.
Para os preguiçosos, é um livro pequeno; para os desprovidos de extenso vocabulário, tem linguagem simples; para os pessimistas, se encontra em qualquer biblioteca; para os ocupados, lê-se em uma hora; para os sem recursos, deve ser barato...
É a segunda obra do escritor. Só posso adiantar a última palavra do livro: “Merda!”. O Coronel levou setenta e cinco anos para concluir essa palavra.
Não estou adiantando o final, até porque isso é impossível. Leiam!
Ah! O livro também virou filme, lançado em 1999 e dirigido por Arturo Ripstein.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
A boa publicidade
Quando iniciei o curso de Comunicação sabia que após quatro semestres teria que optar entre dois caminhos: jornalismo ou publicidade. Desde sempre soube que seguiria para o lado do jornalismo, por questão de instinto mesmo. Além disso, acredito não ter capacidade para ser publicitário.
Se fosse, queria ser diferente. Não aqueles que criam comerciais de cerveja com mulheres seminuas servindo bebida em um bar; Nem os que pensam que numa campanha para conscientizar motoristas
basta mostrar números escandalosos de acidentes. Queria ser inteligente como os criadores de duas campanhas publicitárias das quais gosto muito.
A primeira é de conscientização para o trânsito. Espalharam outdoors em uma rodovia com frases muito criativas do tipo “bebeu e está dirigindo: a viúva é bonita?” ou “bebeu e está dirigindo: vai ficar lindo com uma coroa de flores!”. Achei o máximo!
A outra campanha que me encanta é a dos bichinhos da Ford. São bonecos que lamentam o fato de serem animais e por isso não podem comprar um carro. Bom gosto, humor, estética e sem apelar para trocadilhos sexuais ou celebridades. Os comerciais encerram com a frase “você pode ter um Ford zero”. Sensacional!
Como não seria capaz de tais feitos, deixo isso para os talentosos.
Se fosse, queria ser diferente. Não aqueles que criam comerciais de cerveja com mulheres seminuas servindo bebida em um bar; Nem os que pensam que numa campanha para conscientizar motoristas
basta mostrar números escandalosos de acidentes. Queria ser inteligente como os criadores de duas campanhas publicitárias das quais gosto muito.A primeira é de conscientização para o trânsito. Espalharam outdoors em uma rodovia com frases muito criativas do tipo “bebeu e está dirigindo: a viúva é bonita?” ou “bebeu e está dirigindo: vai ficar lindo com uma coroa de flores!”. Achei o máximo!
A outra campanha que me encanta é a dos bichinhos da Ford. São bonecos que lamentam o fato de serem animais e por isso não podem comprar um carro. Bom gosto, humor, estética e sem apelar para trocadilhos sexuais ou celebridades. Os comerciais encerram com a frase “você pode ter um Ford zero”. Sensacional!Como não seria capaz de tais feitos, deixo isso para os talentosos.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Entre o ideal e a atitude
Vejam os socialistas do século vinte e um! Em sua grande maioria jovens que, enquanto bebem uma Coca-Cola num boteco qualquer, pregam um mundo justo, livre dos monopólios e da opressão intelectual. Nada contra os jovens, nem contra os jovens que pensam, muito menos contra aqueles que defendem suas idéias em público. Contra, sim, a hipocrisia ao falar uma coisa e fazer outra ou não fazer.
Eu, por exemplo, apesar de simpatizar muito com Lênin, Che e até com Fidel e Chávez, piso em ovos quando me perguntam a minha orientação ideológica. Aliás, quando ouço essa pergunta meu ego inflama, já que o entrevistador ao menos supõe que sou embasado o suficiente para ter uma “orientação ideológica”. Apesar da simpatia não me defino como socialista e muito menos comunista por uma série de razões, sobretudo porque há mais de duas décadas vivo numa sociedade capitalista e a ela fui moldado. Obedeço às regras impostas e faço uso de suas ferramentas. Não foi uma questão de escolha. Seria muito simples se o mundo fosse divido ao meio, um lado capitalista e o outro comunista, bastaria escolher e pronto. Eu optaria pelo lado comunista.
São essas contradições existenciais que o escritor Moacyr Scliar retrata divinamente no livro A Festa no Castelo. Um jovem revolucionário e um sapateiro socialista resolvem fazer de uma fábrica de calçados um recanto do socialismo. Enquanto a teoria era perfeita, a prática fracassa.
A relação de Cuba com o mundo capitalista é a mesma sua, amigo adolescente socialista, com seus pais. E é bem provável que ao transformar idéias em atitudes seu destino seja o mesmo dos cubanos. Caso as idéias continuem apenas idéias na cabeça, você será um socialista entregue ao capitalismo como, aliás, deve estar neste momento.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
A eleição dos gringos
As prévias norte-americanas ganham um destaque internacional enorme. No Brasil, por exemplo, fala-se mais nisso do que nossos problemas locais. Dizem que quando determinada coisa é de interesse coletivo interessa a todos, mas não faz a mínima diferença individualmente.
Na verdade, acho que essas prévias que os EUA realizam está longe de ser mais uma demonstração de democracia suprema. Penso que é mais uma artimanha para tornar mundialmente famoso o nome do futuro líder mundial. E o mundo cai direitinho...
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Dorme, Pimpão
Foi impossível não contar esse fato aqui: diariamente uso um táxi para ir do local de trabalho até em casa e vice-e-versa. Dois motoristas conduzem o veículo. Durante a noite é um motorista contratado e ao dia é o proprietário da frota, um senhor que aparenta mais de sessenta anos, uruguaio e que ainda carrega forte o sotaque castelhano. Enfim, uma figura!Ocorreu que ao pegar o táxi, guiado pelo funcionário, rodava um CD com uma música bem animada, acho que de algum grupo gauchesco. Quando acabou a faixa, ouvi um som familiar. Um piano suave que chegava doce aos ouvidos. Alguns segundos depois a música começou: “Vem meu ursinho querido...”
Caí na gargalhada! Perguntei o que era e o motorista explicou que o CD pertencia ao dono do táxi, o senhor uruguaio. Era Ursinho Pimpão, com Jairzinho quando fazia parte do Balão Mágico!
Lembro que minha mãe cantava essa música para me fazer dormir e, sempre ao ouvi-la, tinha vontade de chorar. Como sonífero funcionava exemplarmente. Pelo que percebi, não só para mim.
Como o trabalho de taxista deixa brechas de tempo para uma soneca, suponho que o senhor use o Ursinho Pimpão para cair no sono. Ou seja, é a prova de que todos guardam em si um pouquinho de criança.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Férias proveitosas
Nunca tive um período de férias tão bem aproveitado como esse. Impossibilitado de liberar meu lado fútil dançando a “pirigueti” em alguma festa na praia, devido ao trabalho, aproveitei para trocar meu horário de trabalho para a noite e meu horário de sono para o dia.Enquanto todos dormem eu trabalho. Quando chego em casa, ainda no início da madrugada, o sono não existe. Sendo assim aproveitei para colocar a leitura em dia. Valeu a pena!
Li Fazenda Modelo, do Chico Buarque em duas madrugadas. Nas seguintes li Borges e os Orangotangos Eternos, do L.F. Veríssimo, O Che Guevara que Conheci e Retratei, do também gaúcho Flávio Tavares, Pátria Uruguaia, uma antologia com textos de Eduardo Acevedo Diaz e O Rei de Havana, de Pedro Juan Gutierres. Nessa madrugada terminei Do Amor e Outros Demônios, de Gabriel Garcia Márquez e comecei A Festa no Castelo, do Moacyr Scliar.
O fato é que estou aproveitando muito bem minhas noites de insônia. Torço para que o dia em que a vida voltar ao normal, continue assim. E, como tenho certeza que esqueci de algum lido, a partir de hoje vou guardar todos os recibos de empréstimo da biblioteca!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
“Tá, e daí?”
Mário Quintana dizia que quando o leitor pergunta o que o autor quis dizer, é porque um dos dois é burro. Já passei por essa situação e sei que os autores os quais não entendi não eram burros.Por último li “Pátria Uruguaia”, um livro publicado no Rio Grande do Sul com apoio da Secretaria Estadual da Cultura, com textos do escritor uruguaio Eduardo Acevedo Díaz. Para a publicação, foi feita a seleção de trechos de livros e crônicas do autor, contando fatos da história do país vizinho.
Confesso que, não fosse a pesquisa pré-leitura que fiz na internet,, teria maiores dificuldades de compreender as crônicas de Díaz. Mesmo tendo estudado quase na fronteira, nunca tive – nem no ensino fundamental, nem no médio – qualquer noção da história uruguaia. Incompreensível, pois os fatos históricos envolvendo aquele País estão diretamente relacionados ao Rio Grande do Sul e à disputa entre Portugal e Espanha por terras.
Mesmo inteirado dos principais fatos históricos, vejo o livro “Pátria Uruguaia” como um começo controverso para quem quer estudar esses episódios da história uruguaia. O leitor termina o livro perguntando-se "tá, e daí?".
Buscar algum romance histórico de Acevedo Díaz completo é, sem dúvida, uma melhor opção.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Versão brasileira Herbert Richers
Mas, afinal, quem é Herbert Richers? Nada como a internet para ajudar! Ele nasceu em 1923 em Araraquara, interior de São Paulo. Aos 19 anos mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar no maior laboratório fotográfico do País, que pertencia a um tio.
Oito anos depois fundou a empresa homônima que atuava no ramo de distribuição de filmes. Logo a empresa tornou-se pioneira da dublagem no País e hoje detém 70% dos filmes exibidos. Quem apresentou Herbert à dublagem foi Walt Disney, de quem era amigo.
O mito ainda vive. Tem 84 anos e a empresa continua atuante! Entre as dublagens inesquecíveis estão He-Man, Capitão Planeta, ALF, o ETeimoso, Popeye...
Herbert Richers faz parte das nossas vidas e ele sabe disso. Tanto que para conservar-se como mito de toda uma geração, não existe na internet foto dele. A única está no site oficial da empresa, conforme figura lá no topo.
Oito anos depois fundou a empresa homônima que atuava no ramo de distribuição de filmes. Logo a empresa tornou-se pioneira da dublagem no País e hoje detém 70% dos filmes exibidos. Quem apresentou Herbert à dublagem foi Walt Disney, de quem era amigo.
O mito ainda vive. Tem 84 anos e a empresa continua atuante! Entre as dublagens inesquecíveis estão He-Man, Capitão Planeta, ALF, o ETeimoso, Popeye...
Herbert Richers faz parte das nossas vidas e ele sabe disso. Tanto que para conservar-se como mito de toda uma geração, não existe na internet foto dele. A única está no site oficial da empresa, conforme figura lá no topo.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Com que roupa?
A sociedade impõe regras para tudo. Atitudes, comportamento, vocabulário e o modo de se vestir são vigiados constantemente. Mas a cartilha que define como se deve viver em uma sociedade não explica de forma convincente o porquê de algumas dessas imposições. É assim no caso do vestuário, por exemplo.Várias vezes deixei de ir a eventos devido a uma frase escrita em letras miúdas no rodapé do convite: “traje tal”. Para casamentos, smoking impecável de cores neutras, como o branco ou o preto; em formaturas, roupa social; no carnaval roupas coloridas e esquisitas. E por aí segue. É uma imposição ditatorial, pois se alguma coisa estiver fora do contexto, o convidado é barrado.
Os argumentos usados não me convencem. É uma festa social, tens que ir a caráter. Sim, mas por quê? Por que não posso usar jeans num casamento? Qual a infração que estou cometendo se eu me sinto bem usando jeans, camiseta e tênis? É por que as outras pessoas irão julgar?
Enfim, tudo direciona para a forma de vida que as pessoas estão acostumadas a levar, se preocupando mais com o que os outros irão pensar do que em sentir-se bem. Acaba que nós mesmos adotamos essas regras. Com isso, virou lei geral, a velha regra da “Maria vai com as outras”. É assim que é e é assim que deve continuar!
Lógico que não concordo. É pura futilidade esse condicionamento social ao qual estamos acostumados. Certamente deixarei de ir a muitos outros eventos pelo fato de não aceitar ser obrigado a vestir-me de forma desconfortável e penso que se todos déssemos mais importância ao nosso bem estar, algum dia essa cartilha social cairia por terra. Mas é bem mais cômodo adequar-se as regras do que tentar mudá-las. Por isso muitas outras coisas não mudarão...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Meu dia
Este ano, afogado pelo carnaval, nem lembrava que estava de aniversário nas primeiras horas do dia. Resolvi saber mais sobre essa data que eu tanto gosto por razões óbvias. Descobri coisas interessantes.
Fazem aniversário junto comigo a Sabrina Satto (putz), aquela ex-BBB integrante do programa Pânico, o Zeca Pagodinho e, salvando a Pátria, Luis de Camões, autor dos Lusíadas, a epopéia portuguesa. Ainda: Alice Cooper, Marcelo Camelo (Los Hermanos) e Isabel Perón. Bem que suspeitava que todos fossem aquarianos.
No meu dia foi abolida a escravidão nas colônias francesas, Gandhi foi libertado da prisão após dois anos, Hitler proclamou-se comandante das forças armadas alemãs, Hebert Viana sofreu aquele acidente que deixou seqüelas, morreu Paulo Francis.
Enfim, quanta coisa se esconde atrás de um número no calendário.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Máquina de escrever
Nostalgia a mil neste blog. O amigo leitor pode perceber isso pelas fotos do cabeçalho. Uma delas, de um aparelho inventado em 1714 por Henri Mill, mas que passou por várias mãos até ser completo em 1843. Um italiano, norte-americanos, franceses, ingleses e um brasileiro (Padre João Francisco de Azevedo) contribuíram para aperfeiçoar o invento.Eu usei máquina de escrever! Quando comecei em rádio já era século XXI, mas a emissora não sabia disso. Minha sala na redação havia uma mesa de mármore, alguns aparelhos de gravação ao lado, um telefone (a coisa mais moderna presente ali) e uma máquina de escrever. Era as batidas apenas com os dedos indicadores que redigia as notícias do dia. Um barulho formidável.
O “plac-plac” do bater nas teclas foi ficando cada dia mais rápido. Pouco antes da máquina se substituída por um computador, o ruído parecia, para mim, uma orquestra incessante, enquanto que para os outros, lembrava uma britadeira. Eu adorava, mesmo que em dias de muita correria saísse de lá com os dedos vermelhos.
Lembro que quando tinha dez anos fazia um jornalzinho escrito à mão. Contava ali as fofocas de família. O meu grande sonho era ter uma máquina de escrever! Nunca o realizei, pois rapidamente fui sugado pelo computador. Ainda tenho esse sonho. Gostaria de escrever agora e cometer algum erro, apenas para, ao invés de apertar um botão e desfazer o engano, voltar algumas casas na máquina e bater um X em cima. Isso era vida! E viva a saudade!
Encanto pelo vinil
Ouvir música já foi um ritual bem mais interessante em outras épocas. Hoje basta um tolo clique e a canção é executada. Para mudar, outro clique e pronto. A tecnologia torna vazios e secos nossos atos corriqueiros. Não estou alheio a essa forma grosseira de ouvir canções, já que é fácil encontrar qualquer obra prima na internet, baixar e ouvir, mas procuro cultivar hábitos antigos e emocionantes. O disco de vinil, por exemplo, é uma das minhas paixões.Não há facilidade que substitua o prazer de comprar um vinil, enorme, brilhante, sentir o cheiro de papel velho que exala da capa rabiscada, amassada e suja. Tirar o LP da capa, passar um lenço para tirar o pó, encaixá-lo no tocador e posicionar a agulha, com todo o cuidado, procurando o ponto certo. Depois, ouvir aquele ruído de quando a agulha passa entre os intervalos das faixas e, aos poucos, o som dos instrumentos vai sobrepondo o chiado. O áudio rouco, de qualidade infinitamente inferior ao MP3 e ao CD, é apaixonante. A paixão que move Durval, personagem do filme “Durval Discos”, um proprietário de loja que pára no tempo e se recusa a vender CD`s.
Cuido dos meus discos como se fossem filhos ou animais de estimação. Eles tomam sol e ar fresco, para não ruírem com o tempo. São limpos e guardados meticulosamente organizados, ano a ano, artista a artista. Embaixo as coletâneas de Bossa Nova, depois os vários do Chico e do Caetano, e acima a grande coleção de Rita Lee.
Em alguns chamam atenção as dedicatórias, com datas distantes, e vocabulário interessante. “De eu pra vosmicê”, escrito em caneta azul e data de 79. Algum namorado apaixonado conquistou quem sabe a sua esposa com esse recadinho. Há uma história de vida, certamente, atrás desses rabiscos. Assim como há histórias em todos os discos dos sebos que freqüento. Esqueço as horas e admiro um a um, imaginando os caminhos que tal disco percorreu até ser descartado nessa loja.
O mundo já foi bem mais interessante. Ouvir música já foi instigante, hoje é banalidade presente no carro ou pendurada no pescoço, em qualquer lugar e com uma facilidade que intriga. Sou nostálgico, sim!
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Sobre o que eu vou escrever hoje?
Pois é, quando passo tardes ou noites sem nenhuma atividade para preencher o tempo, enjoado de todos os devedês e sem nenhuma vontade de assistir qualquer besteirol na televisão, é essa a questão. Agora, ouço o resto da chuva dessa tarde em Bagé, cair lentamente do telhado num compasso interessante. Dá samba, aproveitando o momento carnavalesco.Não, não. Carnaval não. Nem quero pensar nas asneiras que aqui estariam publicadas se resolvesse falar sobre essa festa popular que, para mim, é uma eterna interrogação: primeiro, porque até hoje não entendi como a data se define e que, este ano, foi cair justamente em cima do meu aniversário. Massacrou a coitada da minha data. Pisou com uma botina daquelas de couro e ainda fez movimentos para o lado, destroçando o meu dia; segundo, porque não sei o que as pessoas tanto comemoram com porres memoráveis!? Sendo assim, deixa o carnaval de lado um pouquinho.
Já que chove, o assunto poderia ser esse! A mágica da formação das nuvens, a beleza da chuva caindo e lavando tudo. Ainda mais aqui em Bagé, que é conhecida pela falta de água. Também pudera, a cidade não tem um rio, só umas sangas com água preta e fedorenta! Poderia ser o tema desse texto! Um tema ambiental, ecológico, importância da preservação etc e tal. Ah, não! Não gostei.
E se eu falasse de como será o meu feriado? Querendo ou não, somos influenciados pelo carnaval. Alguns vão para as ruas comemorar não sei o quê e outros ficam e casa sem fazer nada ou trabalham... Eu estou nas duas últimas opções, então imagino que não seja um tema interessante para um artigo o carnaval de um cidadão que vai trabalhar, dormir, trabalhar, dormir. Esqueça o feriado.
Já sei! Hoje pela manhã ouvi no rádio que o Beto Carrero morreu. Poderia dissertar sobre sua vida, como construiu o seu império, a beleza do parque e dos espetáculos do circo! Bem, poderia, se tivesse ido ao menos uma vez na vida ao parque ou ao circo do, agora, defunto...
Bom, se as idéias não estão aparecendo, e mesmo assim já falei o suficiente para encher lingüiça no blog, vou ali ler alguma coisa. Quem sabe a inspiração vem!? Aliás, o amigo leitor notou como é fácil escrever um texto sobre coisa nenhuma? Aqui está! Releia! Não falei sobre absolutamente nada! Tudo bem, se fosse a Martha Medeiros ou o Moacyr Scliar...
O amor insiste
Faz mais de uma semana que vejo em frente à minha casa cenas e mais cenas de amor tórrido. Duas almas escolheram o meu gramado para protagonizar uma novela romântica do reino animal. Aliás, duas almas só não! Há dias em que são várias, duelando pelo amor de uma cadela.Ela, o objeto de desejo dos machos, já é conhecida na rua. Não se sabe a quem pertence, talvez a ninguém ou ao mundo, mas é famosa. Sem raça definida, peluda, grisalha e, perdoem-me os garanhões, mas é também feia. A coitadinha é desprovida daquela beleza animal que muitas outras exibem por aí.
Mesmo feia, deve ter algo de muito especial! O macho que mais vejo próximo a ela é um cão preto, parece-me que de alguma raça – mas não entendo de raças de cachorros – e bonito. Pêlo preto luminoso, gordo, aquele focinho de cães raçudos. Os adversários são pobres coitados da rua. Vez ou outra, um deles aparece com uma coleira de corda ou couro, indicando que têm residência fixa.
Os duelos ao amanhecer já me despertaram várias vezes. Acordo bravo, mas logo entendo que é o amor. Os uivos, os latidos, os “caim, caim”, fazem parte do ritual. Entendo e apenas acompanho.
O que tenho observado é que o cão de pêlo preto passa mais tempo ao lado da amada do que fazendo qualquer outra coisa. Mas até agora não vi cenas de sexo explícito, para minha felicidade, pois apesar de ser “o amor”, é nojento. E quando ficam grudados? Imagino-me no lugar do coitado do cachorro com o pinto preso, desesperado! Pobre bicho.
Mas, mesmo a cadela feia se fazendo de difícil – talvez faça parte do jogo de sedução – o cão preto não desiste. Pelo contrário, insiste. Já o vi praticando com o chão algumas vezes. Ele está apaixonado. Se rendeu aos encantos de um “bela” dama e deve uivar baixinho ao seu ouvido que a ama, que não vive sem ela... Que bonito! No reino animal o amor persiste... mas precisava ser em frente a minha casa!?
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Companheiro da madrugada
Li nesta madrugada o livro do Flávio Tavares, "O Che Guevara que conheci e retratei". A obra é dividida em página com texto e outra com fotos. Tavares conta um período de treze dias em Punta Del Este, onde Che participava de um evento que reunia os países latino-americanos e os EUA.Sobre a obra, cabe comentar: boas fotos!
Os livros que ganhei
Não é preciso nem abrir a embalagem do presente, basta apalpar, sentir o liso papel e pronto: fui conquistado! Daquelas alegrias pequenas do dia-a-dia, muitas esquecemos. São coisas que duram alguns minutos e se vão. Mas coisa que não esqueço é quando sou presenteado com um livro. Qualquer coisa. Pode ser José Saramago ou Bruna Sufistinha, não esquecerei nem o título e o enredo da obra, e muito menos quem me proporcionou conhece-la.Sabe aquele brilho nos olhos da criança quando ganha o brinquedo que muitas vezes namorou em alguma vitrine? É assim que fico quando ganho um livro e, apensar da memória fraca, recordarei aquele momento para sempre. Ou, pelo menos, não esqueci de nenhum até o momento.
O Editor Sem Rosto foi-me presenteado num amigo oculto por um ex-colega de trabalho chamada Rosane. O Texto Na TV, da Vera Íris Paternostro, quem me mandou pelo correio foi o amigo Gilberto, de São Paulo. Uma pilha de obras carcomidas pelo tempo ganhei quando meu ex-chefe resolveu fazer uma limpeza na sua estante. Na pilha estavam pérolas, como Lênin: Coração e Mente e Afundação Roberto Marinho. Uma coleção de edições dos anos noventa da revista Seleções ganhei da tia Ana. Tudo lido e guardado na memória e na estante, claro.
Quem empresta, eu também não esqueço. Li o Código Da Vinci graças à outra ex-colega, a Milene. O Che Guevara que Conheci e Retratei me espera na mesa de cabeceira devido a gentileza da Niela. História da Comunicação li quando comecei a faculdade cedido pela colega Giana.
Agradeço as bibliotecas da Urcamp em Bagé, do Colégio Oswaldo Aranha, do Barros Cassal, do Centro Cultural de Alegrete... Todas foram fundamentais, quando tomei emprestado algum alimento da alma por lá.
Não sei o motivo, mas acho que não tenho feições de pessoa culta, já que são raras as vezes que tenho a alegria de receber o presente tão desejado. Como diz o ditado, que vê cara não vê coração, nem intelecto.
O homem, o livro e o táxi
Várias vezes por dia passo em frente à biblioteca da “minha” universidade. Nada em especial na rua me atrai, é apenas o caminho mais curto e rápido para meus afazeres diários: ir ao mercado, ir ao trabalho, tomar chimarrão na praça... Enfim, o mesmo tédio todos os dias. Meus passos rápidos e certeiros não impedem que sempre preste atenção em uma cena: é raro não ver ali, sentado em sua cadeira de praia (ou será um banquinho de madeira? Não importa, não acrescenta muito na história) um senhor de ar simpático, que exibe a experiência nos cabelos brancos e um livro na mão, quase sempre aberto pra mais da metade.
Devora as letras de modo que nem o caminhão mais barulhento, nem o alvoroço nos dias de trotes tiram a sua concentração. Há pelo menos dois anos vejo esta cena diariamente, exceto aos domingos e feriados, quando nem uma mosca passa por aquela rua. Cadeira, livro e leitor. Ah, e taxista também. Ele não está ali porque gosta de ler na rua. É trabalho. Enquanto espera por alguém para uma corrida até a rodoviária, viaja nas letras. O necessário e o agradável lado a lado.
Castelos, crimes bem arquitetados, personagens da história, o governo do Getúlio, a Revolução Francesa, coquetéis memoráveis em algum palácio europeu... Certamente esse taxista conhece tudo isso e muito mais sem sair da sua cadeira de praia (ou banquinho de madeira). Difícil saber se escolheu o ponto por ter a biblioteca em frente ou se foi abduzido pelos livros por trabalhar em tal lugar. Pouco importa, assim como a questão da cadeira ou do banquinho, o que vale registrar é o exemplo.
Quando a universidade não está em férias milhares de “estudantes universitários” passam por ali, curiosos, e certamente reparam no leitor assíduo, mas poucos conhecem tanto quanto esse “taxista municipário”. Não têm tempo, nem paciência ou são displicentes... Entram na biblioteca para procurar um livro específico de leitura obrigatória em alguma pesquisa ou arrastados pelo braço, como crianças do jardim de infância, por algum professor bem intencionado.
Numa oportunidade única conversei com o personagem em questão. Liguei a câmera e pedi para que falasse sobre a influência da televisão nas crianças e jovens. Pai experiente, segundo ele, aceitou depor. E falou muito e bem! Demonstrou ali que os dias que passa acompanhado dos livros surtiram resultado. É uma pessoa culta, bem informada, com vocabulário. Melhor que muitos, mas vá lá...
Uma corrida com esse taxista municipário, se o passageiro estiver afim, pode ser acompanhada de uma conversa inteligente, com “sustância”, rara em situações como essa. Os colegas dele preferem falar sobre o jogo de domingo passado e o frio ou calor do dia.
Feliz dele, o taxista-leitor (ou vice-e-versa) que aproveita muito bem o seu tempo. Precisa ser mais observado, admirado e copiado, principalmente por quem passa ali de segunda a sexta com aquele ar de quem está indo para a cadeira elétrica. Um bom exemplo o homem, uma exceção a ser xerocada por outros tantos. Por mim, por exemplo.
Devora as letras de modo que nem o caminhão mais barulhento, nem o alvoroço nos dias de trotes tiram a sua concentração. Há pelo menos dois anos vejo esta cena diariamente, exceto aos domingos e feriados, quando nem uma mosca passa por aquela rua. Cadeira, livro e leitor. Ah, e taxista também. Ele não está ali porque gosta de ler na rua. É trabalho. Enquanto espera por alguém para uma corrida até a rodoviária, viaja nas letras. O necessário e o agradável lado a lado.
Castelos, crimes bem arquitetados, personagens da história, o governo do Getúlio, a Revolução Francesa, coquetéis memoráveis em algum palácio europeu... Certamente esse taxista conhece tudo isso e muito mais sem sair da sua cadeira de praia (ou banquinho de madeira). Difícil saber se escolheu o ponto por ter a biblioteca em frente ou se foi abduzido pelos livros por trabalhar em tal lugar. Pouco importa, assim como a questão da cadeira ou do banquinho, o que vale registrar é o exemplo.
Quando a universidade não está em férias milhares de “estudantes universitários” passam por ali, curiosos, e certamente reparam no leitor assíduo, mas poucos conhecem tanto quanto esse “taxista municipário”. Não têm tempo, nem paciência ou são displicentes... Entram na biblioteca para procurar um livro específico de leitura obrigatória em alguma pesquisa ou arrastados pelo braço, como crianças do jardim de infância, por algum professor bem intencionado.
Numa oportunidade única conversei com o personagem em questão. Liguei a câmera e pedi para que falasse sobre a influência da televisão nas crianças e jovens. Pai experiente, segundo ele, aceitou depor. E falou muito e bem! Demonstrou ali que os dias que passa acompanhado dos livros surtiram resultado. É uma pessoa culta, bem informada, com vocabulário. Melhor que muitos, mas vá lá...
Uma corrida com esse taxista municipário, se o passageiro estiver afim, pode ser acompanhada de uma conversa inteligente, com “sustância”, rara em situações como essa. Os colegas dele preferem falar sobre o jogo de domingo passado e o frio ou calor do dia.
Feliz dele, o taxista-leitor (ou vice-e-versa) que aproveita muito bem o seu tempo. Precisa ser mais observado, admirado e copiado, principalmente por quem passa ali de segunda a sexta com aquele ar de quem está indo para a cadeira elétrica. Um bom exemplo o homem, uma exceção a ser xerocada por outros tantos. Por mim, por exemplo.
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