Sábado, 4 de Julho de 2009

Dá pra entender o rei?

Já contei essa história por aqui, mas diante dos acontecimentos comemorativos aos 50 anos de carreira do rei, faço questão de repetir. Era dia de Natal e eu visitava alguns parentes em Alegrete. Tias da minha mãe, de 50, 60 anos. Na televisão, Roberto Carlos apresentava mais um especial de final de ano.

Entre um chimarrão e outro, comentei: “Roberto Carlos é bom, né?”. Nem bem terminei a frase e ouvi gargalhadas em coro. Minhas tias duvidaram da sinceridade do meu comentário. Imagino que, na cabeça delas, o rei só agrade a quem tem mais idade. Decerto, para elas, ele não faz a cabeça dos jovens.

Confesso que o comentário foi involuntário e muito verdadeiro. Eu, assim como milhões, adoro o trabalho do RC. O cara fala de amor de uma forma que não tem como não se emocionar. Sim, já chorei ouvindo RC. Brega? Fiasco? Não sei.

Também admito que não entendo o sucesso do rei. Não sei como ele consegue agradar a todos. Penso que deve ser o único que supera a popularidade do Lula.

PS.: Escrevi o post ao som de Detalhes, no Caldeirão do Huck.
.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Elas caminham pela vitória

Antes de entrar no assunto, preciso confessar que não tenho conhecimento técnico para dissertar longamente sobre o tema. Porém, acredito que um pouco de sensibilidade e o olhar de alguém de fora merece ser externado. Falo da impressionante organização, no Rio Grande do Sul, entre as mulheres que já tiveram câncer de mama.

Aqui, existe o Instituto da Mama (IMAMA), organização não-governamental que consegue atender, dar orientação e apoio, às mulheres de todo o Estado. Nas diversas cidades do interior onde já morei, sempre notei a presença constante do IMAMA. Quando conversava com alguém que teve a doença ou com algum familiar, a ONG era sempre citada com longos elogios e agradecimentos.

Não bastasse ajudar quem, infelizmente, desenvolveu a doença, o IMAMA também trabalha na prevenção. Um veículo, chamado Mamamóvel, percorre todo o interior do Rio Grande do Sul oferecendo exames de graça em parceria com as prefeituras. Na área da mídia, o instituto também procura fazer forte divulgação da doença (e vem conseguindo). É muito difícil passar uma semana sem ler, ouvir ou assistir algo sobre o IMAMA na imprensa gaúcha. Isso é bom porque alerta muita gente para a importância de fazer exames preventivos, já que o câncer de mama tem mais de 90 por cento de chance de cura se detectado no início (mesmo sem conhecimento técnico, disso eu sei).

Agora em julho, milhares de mulheres que já tiveram câncer de mama vão para as ruas em cinco cidades gaúchas (Porto Alegre, inclusive). Será a Caminhada das Vitoriosas, promovida pelo IMAMA, e que quer alertar ainda mais sobre a doença.

Enfim, é muito bom ter exemplos e poder falar deles de vez em quando. Achar coisas erradas, criticar o governo, falar mal de algum artista... isso é corriqueiro. O difícil é achar algo assim, como o IMAMA, que dá gosto de elogiar!

.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Sem diploma e sem Conselho

Há alguns dias o meio jornalístico discute um assunto em comum: a extinção da exigência do diploma para exercício da profissão pelo Supremo Tribunal Federal. Falar das consequências dessa atitude equivocada e provavelmente fruto de lobby seria repetitivo, mas é preciso esclarecer um ponto: não está se dando carta branca aos incompetentes para que tomem o lugar dos jornalistas formados. Também existem incompetentes com diploma e competentes sem formação.

O julgamento do STF foi de encontro ao que clamava a opinião pública, a intelectualidade, os jornalistas, os políticos. O Supremo só agradou às empresas que entraram com o processo de extinção.

A justificativa de apagar resquícios da ditadura e ampliar a liberdade de imprensa não me convence. A ditadura trouxe muitas, inúmeras, milhares de coisas ruins, mas também deixou algumas poucas marcas positivas. A regulamentação da profissão de jornalista, inicialmente para impedir que intelectuais de esquerda continuassem na mídia, possibilitou a formação da classe que temos hoje, com profissionais técnica e intelectualmente preparados.

Mas chorar as mágoas não basta. É preciso saber o que levou a tudo isso. Lembro de alguns anos, durante o primeiro mandato do Presidente Lula, quando o Governo Federal propôs a criação do Conselho Federa de Jornalismo e dos Conselhos Regionais. Assim como outras profissões (advogados – OAB; engenheiros – CREA; administradores – CRA), os jornalistas também seriam submetidos a uma entidade maior, responsável por defender a profissão e, claro, também punir excessos. A mídia criticou, acusando o Governo do PT de tentar vigiar, restringir, cercear a liberdade de imprensa. Os conselhos não saíram do papel.

Ouvindo a declaração de um líder de Conselhos do Brasil, recentemente em Porto Alegre, percebi o quão íntimo esses dois fatos estão ligados. Na opinião dessa fonte, os empresários de comunicação venceram as duas batalhas: impediram a criação do conselho e derrubaram a exigência do diploma.

Diante disso, pergunto: e se o Conselho Nacional de Jornalismo existisse, a exigência do diploma teria sido extinta? Penso que não, pois um Conselho teria maior representatividade e força política.

.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Desapaixonado por futebol

Em qualquer parte do mundo os brasileiros são rapidamente associados ao futebol. A vocação para esse esporte e a formação de dezenas de craques de reconhecimento mundial, deram ao Brasil o título de “País do Futebol”. Pode até ser bom, mas eu preferiria ostentar o título de “País da Educação” ou “País da Cultura”. De qualquer forma, Pelé, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, têm algum mérito: deram, involuntariamente, um rótulo mundial para a nossa pátria.

Ao contrário do que diz a mídia sobre todos, eu não sou um apaixonado por futebol. Gosto muito, sim, mas prefiro me apaixonar por outras coisas. Vejo esse esporte como benéfico por uma série de razões. Reconheço que ele tira muitas crianças da marginalidade, alegra o povo e, em minha opinião, é o único fenômeno genuinamente patriota do Brasil. Durante uma Copa do Mundo é que podemos perceber, pois parece que todos se tornam um pouco mais brasileiros.

Sobre futebol, gosto de assistir aos jogos do meu time, dos outros, do rival, mas não me interesso nem um pouco por partidas da Seleção Brasileira. Não vejo verdade. Jogo da Seleção e novela das oito para mim é quase a mesma coisa. Imagino que essas partidas começaram a perder a graça quando a televisão descobriu que poderia transmiti-las, porque desde então, os jogadores não se apresentam mais para os torcedores e sim para as câmeras. Suspeito que um atleta de Seleção já entra em campo pensando: “Pô, tenho que fazer um golaço pra depois ser contratado para fazer aquele comercial de cerveja”.

Quando assisto às partidas do meu time do coração, vejo onze caras que nasceram para jogar futebol e fazem disso a sua profissão. Nas partidas da Seleção é diferente: vejo um bando de celebridades em campo. Tanto que não ficaria surpreso se o narrador anunciasse a substituição do Kaká pelo Silvio Santos...

Em tudo que faz, a mídia busca a construção de um espetáculo. Qualquer coisa vira show: acidentes aéreos, escândalos políticos e, inclusive, partidas de futebol. Sei que sou minoria absoluta nesse assunto, já que a televisão quer contemplar a grande massa. E consegue. Só me resta mudar de canal ou ler um livro.

.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Obama, Obama
Me chama que eu vou
Sou tua mulher robô
Teleguiada pela paixonite...

Que não tem cura
Que não tem culpa
Pela volúpia
Volúpia!...

Obama, Obama
Teu desejo é uma ordem
Te satisfazer
É o meu prazer...

Que não tem jeito
O meu defeito
É não saber parar
Volúpia!...

Adeus sarjeta
Obama me salvou
Não quero gorjeta
Faço tudo por amor
Ah! Ah! Ah!
Adeus sarjeta
Obama me salvou
Não quero gorjeta
Faço tudo por
Faço tudo
Faço tudo por amor...

Ouvi no show de sexta, 29 de maio de 2009, em Porto Alegre.
.

Domingo, 24 de Maio de 2009

Desculpe Yeda, mas eu errei


Definitivamente não sou a Mãe Dináh, nem o Walter Mercado! Logo que a tucana Yeda Crusius Credo foi eleita governadora do Rio Grande do Sul, publiquei um artigo muito otimista sobre o novo momento. Estava cheio de boas expectativas com a fala firme daquela que foi a primeira mulher a assumir o Estado mais machista do Brasil.

Hoje, faltando um ano e meio para o fim do martírio do mandato de Yeda, percebo que estava errado. Ou não. Num momento de euforia com uma grande novidade, é normal ter boas expectativas e eu tive. Não tenho culpa se costuraram o nome dela na boca do sapo...

Não quero aqui justificar a burrice o erro, mas o que fiz é parecido com o que fizeram todas as emissoras de televisão no final de 2002, quando o Lula foi eleito. Lembram das musiquetas de Globo, SBT, Band e Record falando sobre um novo tempo, futuro melhor e coisas do tipo? Hoje, essas mesmas TVs nem piscam antes de criticar o Governo Federal nos casos de suspeitas de corrupção.

Yeda falhou e eu estou decepcionado. Felizmente uma nova eleição está chegando e, dessa vez, prometo não criar expectativas sobre o(a) novo(a) governador(a) eleito(a) no Estado. Demorou 22 anos, mas eu finalmente aprendi a não me entusiasmar com discursos políticos.

Acordei.
.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Doença animaaaaal

As vacas ficaram loucas. Os frangos se griparam. Os cães tiveram raiva. Os mosquitos passaram a ser dengosos e febris. E agora, para fechar o ciclo de epidemias na fauna, os porcos também se resfriaram. A gripe suína é o assunto do momento.

Em pouco mais de uma semana, a doença virou pauta de qualquer conversa de botequim. Com o apoio exacerbado da televisão, o mundo inteiro passou a temer um inimigo mortal em pouquíssimo tempo. Tudo começou porque o governo Mexicano divulgou um número exagerado de mortes em razão da doença. O erro foi corrigido, mas depois do estrago já feito.

A situação parece cena de filme: mesmo nas atitudes mais comuns do dia-a-dia, as pessoas usam máscaras. Ao que parece, a gripe continua se espalhando, já que agora é transmissível de pessoa para pessoa, e “é inevitável que chegue ao Brasil”, segundo o próprio Ministério da Saúde.

Lugares com grandes aglomerações oferecem maior risco de transmissão. Se o estado de pavor da população mundial continuar crescendo da maneira como está agora, as máscaras passarão a fazer parte da nossa vida. Breve, vamos assistir aos jogadores de futebol disputando uma partida com o acessório; o Silvio Santos vai aparecer mascarado no meio da platéia; as passeatas diárias serão mais silenciosas, já que a máscara vai dificultar a propagação dos gritos.

A gripe suína está assustando o mundo inteiro. A nossa vida está começando a mudar e, no caso de sobrevivermos, quem sabe fique até melhor.
.

coisas do baú